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Convocatória para a Assembleia Geral Ordinária do Rugby Clube de Santarém - 30 de junho de 2016, pelas 19 horas.

No passado dia 23 de Abril teve lugar o I Colóquio Rugby Clube de Santarém com a participação de vários convidados e ainda gente da casa. A assistência não era muito numerosa mas a discussão e sugestões foram fantásticas. Pedi à Joana Peres que fizesse um relatório que agora divulgo...


Uma manhã onde a partilha de ideias trouxe vontade de traçar um novo rumo

No dia 23 de abril realizou-se, em Santarém, o primeiro colóquio aberto ao público, patrocinadores, agentes políticos, pais e atletas do Rugby Clube de Santarém. Objetivo: como fazer crescer a modalidade e o clube na cidade de Santarém. Foram vários os oradores que ajudaram a repensar numa estratégia, clara, para o sucesso do RCS.

Inês Barroso, vereadora da Câmara Municipal de Santarém (CMS), deu início aos trabalhos deste colóquio com uma breve análise em relação ao rugby e à cidade de Santarém. Veio, uma vez mais, reforçar a ideia de que a autarquia “Quer rugby em Santarém!”. Uma apresentação onde os valores do rugby foram, diversas vezes, abordados e enaltecidos para as competências formativas e sociais na educação das crianças. “Defendemos que o rugby é, efetivamente, um polo dinamizador de educação”, afirmou a vereadora. Sendo um desporto coletivo tem caraterísticas fortíssimas de interligação entre todos os valores de um desporto coletivo e a sua prática promove uma ocupação ótima dos tempos livres, promove também estilos de vida saudáveis. “É uma modalidade que complementa a parte curricular da escola em termos de valores e de princípios; respeita capacidades individuais; promove o espírito de família que é um dos pontos muito fortes do rugby e podemos verificá-lo em Santarém e não só, é que o rugby une a família em torno da sua prática dos jogos, das competições e dos convívios e, obviamente, promove nos seus praticantes em termos, também, da sua parte psicológica, autoestima, autoconfiança e outras qualidades”.

Falando de Santarém, Inês Barroso, confirmou que há perspetivas de continuidade de um trabalho que tem de ser partilhado, tem de ser conjugado entre todos – agentes desportivos, autarquias, os pais, a população em geral. E deixou uma esperança: “o sonho é conseguirmos encontrar formas de fazer uma sede do RCS mas para concretizá-lo é preciso continuar a trilhar o trajeto que os agentes têm feito até aqui”.

António Féria, antigo treinador do rugby em Santarém, falou sobre o “Início do Rugby em Santarém”. A história do rugby na cidade afinal já conta com quase meio século, foi o seu pai – Lourenço Féria – quem “trouxe” a modalidade para Santarém. Professor na Escola Agrária, que vinha de agronomia, lançou o desafio a alguns alunos para praticarem rugby e a adesão foi grande. “O rugby em Santarém nunca morreu, apenas passou pela Escola Agrária, pela União desportiva de Santarém, pela Académica de Santarém e em 1995 aparece o Rugby Clube de Santarém”, relembra António Féria.

As condições, para a prática do rugby, nunca foram as melhores mas mesmo assim foram vários os jogadores, na altura, chamados à seleção e tiveram dois internacionais juniores. Não foi por mero acaso que adotaram o lema “Rugby, uma escola de vida”. Afinal, a garra e determinação dos treinadores e jogadores ultrapassaram todos os obstáculos. António Féria, não esquece o ponto mais alto durante a sua experiência como treinador das equipas de formação: “em 1990 fomos incluídos numa digressão, com os juniores, a França em que encarámos uma realidade completamente diferente”. Em Agent, numa pequena cidade francesa, havia vários campos de rugby “coisa rara e nunca vista em Portugal”. Esta digressão ficou na memória de todos e António Féria deixou um desafio à direção do RCS: “deviam voltar às digressões internacionais”.

"Falar de rugby em Santarém é sempre uma paixão", assim começou o antigo treinador Grimaldo Alhandra. Um homem que esteve ligado ao rugby durante 12 anos. Recordações não lhe faltam: "foi uma época estrondosa, lembro-me que os juniores ficaram apurados para um torneio com o Belenenses, numa altura em que ninguém conhecia o rugby de Santarém". Este antigo treinador, guarda com muito orgulho ter pertencido a este clube e considera o rugby "uma das modalidades mais nobres".

Carlos Gonçalves Reis, veio partilhar aquilo que viveu no Rugby de Cascais e dar o seu contributo de “Como fazer um clube de rugby crescer”. Sim, é verdade, nem sempre o Rugby de Cascais viveu tempos áureos. “Em 2004/2005 o Dramático de Cascais quase fechou as portas.” Porquê? “Tudo começou de forma amadora, com um projeto de gestão assente em meia dúzia de pessoas que faziam tudo, a direção foi a mesma durante 20 anos”. Em 2005 o desgaste era notório e, segundo Carlos Gonçalves Reis, foi preciso olhar para o clube e perceber para onde queriam ir, o que queriam ser. Assim foi, “fizemos a escolha de sermos um clube de competição e hoje temos mais de 300 atletas”.
Para alcançarem o sucesso foi preciso repensar a estratégia de gestão, formação, muita organização, dedicação, planeamento e a ajuda de todos. “Temos, inclusivamente, uma área de voluntariado (mães de atletas) que colabora em várias tarefas”. Dar um bocado de cada um, é o lema deste clube.

O exemplo do Rugby de Cascais foi bastante útil para repensar aquilo que falta ao RCS. O antigo jogador e treinador do Dramático de Cascais lançou um reto: “é preciso repensar, saber para onde queremos levar o clube e trabalhar para lá chegar”. E acrescentou: “um erro que não queremos repetir – um dos maiores índices que provoca o abandono de atletas – é a qualidade dos treinadores. Quanto melhores treinadores, menor é o abandono”.

“Como pode a FPR ajudar os clubes na sua organização” foi outro dos temas abordados neste colóquio. Pedro Gonzaga, mais conhecido por PTT, deu a cara pela Federação apesar de conhecer muito bem o RCS: Afinal, foi um dos fundadores do clube, em 1995, e jogou e formou vários atletas durante anos. “É preciso uma organização para o clube para que não sejam sempre os mesmos a trabalhar; precisamos de definir o que queremos e é obrigatório ter bons treinadores com formação”. Para baixar o abandono da modalidade, PTT, lançou uma ideia: atribuir aos jovens mais responsabilidades (ajudar a treinar outros escalões, por exemplo). “Todos queremos que o RCS cresça mas para isso é preciso pedir ajuda. Fala-se muito internamente e devia-se falar mais abertamente”.

Para crescer, há uma ideia em cima da mesa que poderá trazer mais atletas e dar maior visibilidade ao RCS: a organização de um Grande Torneio Nacional em Santarém. “São momentos que marcam e muito tanto os atletas como o próprio clube”, concluiu PTT.

João Diogo Fonseca, pai de atletas do RCS, falou da temática “Como podemos ajudar”. A verdade é que se centrou no tema “Porque devemos ajudar”.

João Diogo nunca jogou rugby e veio parar ao RCS através dos filhos. “É um jogo complicado mas é uma modalidade com valores que queremos da vida: justiça, bravura, humildade, esforço, lealdade, equipa e integração”. Para este pai, há um conjunto de valores que fazem falta na vida e que existem no rugby e “nos ajudam a educar os nossos filhos”. “É justo que os pais possam devolver ao RCS aquilo que o rugby tem dado aos nossos filhos”. E deixou uma proposta: distribuir o “peso” que envolve o rugby por vários pais.

“Como consolidar parcerias” ficou a cargo de Jorge Neves, administrador da Agromais e patrocinador do RCS. Para Jorge Neves, é evidente que um clube tem de ser gerido à semelhança de uma empresa: “sem estratégia não se vai a lado nenhum. É urgente ter uma visão clara de estratégia”.

O patrocínio ao RCS nasceu de um mero acaso – apesar dos valores do rugby representarem a responsabilidade social da empresa – quando estava a ver um jogo e viu uma equipa com um patrocínio de produtos agrícolas. “Pensei: porque não a Agromais? Afinal, os valores do rugby são muito parecidos com os valores dos agricultores: a capacidade de resiliência e a paciência.” O administrador da Agromais revê-se muito naquilo que se pretende desta parceria Agromais/RCS: “repartição de responsabilidades”. E deixa um alerta: “chegou a altura do RCS ter uma estratégia clara”.

Para fechar o colóquio, George Stilwell, Presidente do RCS, falou do “Presente e Futuro”. Para o presidente, o RCS poderá ser uma escola de rugby e deve continuar a apostar, essencialmente, na formação: “a estratégia do RCS não passa, claramente, por ser um clube de contratar grandes estrelas do rugby”.

Para o futuro, ideias para o RCS não faltam. “Queremos melhorar as infraestruturas; criar um centro de estágios, organizar campos de férias de rugby, receber escolas e ATL’s, divulgar mais e melhor o rugby, atrair novos atletas, voltar às digressões internacionais (uma ida à Irlanda já em agenda), envolver mais as famílias e desenvolver merchandising do clube”, afirmou George Stilwell.

No primeiro colóquio do RCS (esperam-se mais), houve ainda espaço para discussão e daí nasceram novas ideias: trazer “estrelas” do rugby nacional para treinar alguns escalões do RCS; os atletas levarem a modalidade aos meios rurais através de jogos de demonstração; desenvolver um plano nutricional entre tantas outras.
Quem não pôde estar presente, também deixou o seu contributo para o futuro do RCS. George Stilwell apresentou algumas sugestões enviadas por email:
Sugestões
    Mais ações de sensibilização nas escolas;
 Fortalecer a relação das equipas com os pais;
 Atletas mais velhos ajudarem a treinar os mais novos
 Organizar um torneio nacional
 Fazer treinos em alguns jardins da cidade de Santarém para captar mais jovens
 Criar uma caderneta de cromos da equipa
 Pais colaborarem mais com os treinadores
 Organizar ações de formação interna

No fim do colóquio os participantes juntaram-se no Jardim da República para um cocktail, em jeito da famosa 3ª parte dos jogos de rugby.

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